Uma questão de tempo

São tempos difíceis estes onde quando honra, respeito e palavra não significam mais nada. O que foi prometido pode ser esquecido, o que foi combinado não precisa ser cumprido e o que fala mais alto, invariavelmente, é o montante de dinheiro – ou de falta dele.

É uma situação que de época em época me chateia consideravelmente, ainda mais quando vivemos também uma época onde cada vez mais pessoas percebem que sozinhos não caminhamos pra lugar algum, e que é preciso pensar sempre num bem coletivo para que todos possamos ir pra frente. O grande problema disso é que é mais fácil, prático e danoso agir de forma negativa do que positiva e, contrariando o dito popular, é por causa disso que o mal invariavelmente vence o bem.

“Não devemos desanimar”, minha mãe diz. “Sabíamos desde o começo que seria assim”, ela completa. Talvez. Mas desanima mesmo saber que enquanto estamos de um lado tentando aplicar o bem e passar isso pra frente, do outro há pessoas indiscriminadamente fazendo aquilo que é melhor apenas pra elas, tirando proveito dos outros e pouco considerando qualquer fator externo aos de suas próprias e miseráveis vidas.

Penso positivo, apesar disso, a maior parte do tempo. Eu acredito que pouco a pouco as pessoas de um modo geral vão acordando, percebendo e se perguntando “por quê” e “pra quê”. Embora seja um realista irremediável, eu ainda boto fé que, apesar do longo caminho que temos pra percorrer, cada vez ele fica mais curto, devido à quantidade de informação de que cada um dispõe em quantidade cada vez maior.

E é só a informação que pode nos salvar. Ou, como chamam por aí, a “educação”. Mas a educação nada mais é do que uma série de informações que nos são passadas e, quanto maior a quantidade de informação, mais crítico fica nosso intelecto quanto àquilo que nos rodeia. Olho, portanto, de forma muito positiva a entrada de classes menos favorecidas no mundo virtual. Já que estas classes não podem contar com a educação em si, como lhes deveria ser oferecida, que tenham pelo menos contato com um mundo com pessoas diferentes, onde podem se deparar com mundos diferentes e passar a pensar de formas diferentes.

É tudo uma questão de tempo. Mas será todo o tempo que temos disponível, suficiente pra que esse novo tempo chegue?

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O que Ando Ouvindo

Sou uma pessoa que ouve muita música. Muita. Eu simplesmente amo música, e tenho um gosto musical muito amplo. Gosto de pesquisar coisas diferentes, pelo mundo afora, procurar saber quem é o artista, de onde veio e o que o influenciou.

Apesar do vasto gosto musical, eu não sou genérico: eu sei do que gosto e conheço o que estou ouvindo. Vou atrás exatamente do que me chama atenção. Sou um convicto de que boa música decididamente quase nunca toca nas rádios, e se você gosta de alguma coisa tem que pesquisar muito pra encontrar coisa boa, porque tem muito material de qualidade duvidosa internet afora.

Dentre tudo aquilo que gosto (e não é pouca coisa), eu tenho “épocas”: tem épocas em que gosto de um bom e velho rock progressivo, outras em que quero só ouvir Chillout e ainda outros momentos em que só ouço música eletrônica.

Minha intenção aqui é postar o que ando ouvindo, tanto para tentar exemplificar um pouco o que ouço quanto para divulgar (o que eu considero ser) boa música e que muitas vezes está perdida por aí:

 

Ian Brown – F.E.A.R. (UNKLE Remix)

Ouvi F.E.A.R. ontem à noite. Ela faz parte da trilha sonora do jogo F1 2010 e se encaixou perfeitamente na abertura. Tem uma melodia muito boa, mas que se for ouvida duas vezes em seguida pode enjoar.

Lisa Miskovsky – Still Alive

Estava outro dia no YouTube vendo uns vídeos do @izzynobre sobre a vida no Canadá e tem esse como trilha sonora de uma viagem que ele fez pro Brasil. Gostei muito. Tem outras músicas da mesma cantora que são muito boas também.

Chicane – So Far Out to Sea

Sou apreciador de Chicane desde 1997, quando lançou “Far from the Maddening Crowds”. Depois de alguns álbuns escorregando e procurando um estilo diferente, “So Far Out to Sea” é exatamente aquilo que Chicane sabe fazer de melhor: batida boa de ouvir e ótima melodia.

Solarsoul

Solarsoul é um DJ russo de ChillOut que eu até agora não sei como eu não conhecia antes. Ele tem playlists uma melhor que a outra e vale a pena ouvir todas. O site dele já é um espetáculo à parte, e nele é possível ouvir todos os sets já produzidos, que aliás vão ao ar no DI.fm todo primeiro Domingo do mês.

Duffy – Stepping Stone

Nunca fui muito fã de Duffy, do estilo meio anos 70 das músicas e da voz quase rouca. Só que Stepping Stone tem uma melodia muito boa, a voz dela se encaixa perfeitamente no tom da música e a letra em si é muito bem escrita (embora tenha a velha pegada “ele-me-deixou-o-que-vou-fazer-agora). Ouvi essa no álbum “Chillout Sessions XII”, de 2009, do selo Ministry of Sound, que também tem um histórico de excelentes álbuns de Chillout. Só que, nesse caso, essa é a única música que gostei de todas as 41 do álbum.

Stereophonics – Could You Be The One

Gosto de Stereophonics desde que ouvi Maybe Tomorrow pela primeira vez e se tornou uma das músicas que eu mais gosto. “Could You Be The One” é a primeira música de trabalho do novo álbum “Keep Calm & Carry On”, que é todo muito bom.

Jes – Like a Waterfall (Flipside Ambient Mix)

Quando alguma boa música eletrônica é lançada, eu sempre imagino que elas dariam ótimas versões Chillout. “Like a Waterfall” é um desses casos, que ficou excelente especificamente nesse remix. Gosto muito da voz da Jes, e ela tem algumas outras músicas muito boas também, sejam dela própria ou apenas como vocalista pra algum DJ.

Reuben Halsey – Touch the Ground

Conheci Reuben Halsey através de um set que ele produziu junto com um outro cara chamado MDB. Mas “Touch the Ground” especificamente eu conheci através de outro set de Solarsoul chamado “Human, Save Your Soul” (esse, infelizmente, não disponível no site).

Lange – Frozen Beach

Ouvi Frozen Beach uma vez no mesmo DI.fm e também achei sensacional. É uma música com uma melodia simples, mas que vai aumentando e fica incrível.

Almadrava – Land of Eternal Sunset

“Land of Eternal Sunset” é o que se pode chamar de uma música bonitinha. Por que? A voz de Almadrava é bonitinha, a letra é bonitinha e a melodia é bonitinha. Ouvi pela primeira vez no álbum “Cafe Del Mar – Volume 14”. Também é a única música que gostei de todas as 31 do álbum.

Faltou música eletrônica, né? Pois é, mas eu ando numa fase mais Chillout mesmo. Num próximo post, quem sabe.

Categorias:Música

O Futuro da Nokia

Quando entrei no mundo da comunicação móvel, meu primeiro aparelho… não foi um celular, mas sim um Pager. Depois, quando tive melhores condições e com o lançamento dos Pré-Pagos, adquiri um Ericsson (sim, sem a Sony ainda). Passado mais um tempo, tive então condições de adquirir um StarTAC, com o qual fiquei por um longo tempo.

Foi nessa época que tive em minhas mãos o primeiro celular Nokia, oferecido pela BCP, rival da minha então atual operadora, a Telesp Celular. Depois desse primeiro, não parei mais de comprar celulares dessa mesma marca, já estando em meu quinto aparelho. O que me atrai nos aparelhos da Nokia é que, apesar de nunca terem sido um primor de design, sempre foram muito funcionais: teclas de fácil acesso, sistema operacional fácil de mexer e grande possibilidade de personalização acho que são os fatores que me prenderam à marca até os dias de hoje.

Depois da aquisição do N97, meu aparelho atual, fiquei um pouco desapontado com a Nokia. Eu nunca tinha sentido saudades do aparelho anterior ao que eu tinha, e isto vem acontecendo inúmeras vezes ultimamente: é impressionante como o N95 era melhor que o N97. Este último ganha em alguns quesitos, é claro, como a câmera melhor, o touch screen e o teclado QWERTY, fazendo-o ser um celular muito mais confortável de se digitar, mas para-se por aí. O sistema operacional é (muito) mais lento e algumas boas funcionalidades do N95 foram simplesmente abandonadas. Apesar disso, o celular tem cumprido seu papel, e tenho feito o papel de um verdadeiro heavy-user. Poderia enumerar uma série de coisas que eu mudaria.

O mais interessante de tudo isso é que eu percebi que não sou o único que pensa isso tudo da Nokia e de seus aparelhos mais recentes. O cara que era dito como o maior conhecedor de todo o mundo do Symbian, o sistema operacional da Nokia, “entregou os pontos” há alguns meses atrás e comprou um celular com Android. E dou-lhe razão: nós simplesmente não entendemos o que se passa na cabeça dos Engenheiros da Nokia.

Os celulares da Nokia têm processadores mais lentos que os rivais Android e iPhone. São 434MHz contra 600 MHz do Motorola Milestone, que vem com Android, e 1GHz do iPhone 4. O processador apenas não faria muita diferença, mas o Symbian é um sistema operacional mais pesado, que exige maior poder de processamento, apesar de ser esteticamente… menos favorecido que seus já citados rivais.

Semana passada a Samsung anunciou que não lançará mais celulares com Symbian. A LG já não o faz há muito tempo e a Sony Ericsson deve ser a próxima a abandonar o barco. A Nokia está ficando sozinha.

O novo presidente da Nokia, Stephen Elop, é ex-executivo da Microsoft, e espera-se que ele dite os novos rumos da empresa. No meu ponto de vista, ela tem duas alternativas:

1 – Passar a lançar os celulares Nokia com processadores mais potentes e melhorar drasticamente o Symbian para tentar brigar com iPhone/Android;

2 – Ou escolher entre Windows Mobile e Android como sua próxima plataforma de sistema operacional.

Há fortes indícios de que a ida de Elop para a Nokia não tenha sido casual: ele pode estar mesmo preparando a virada de mesa da companhia para a utilização do Windows Mobile. Se seguir por esse caminho, a Nokia arrisca muito mais, mas, se der certo, reacende  a briga contra iOS, da Apple, e Android, do Google.

Mas também pode acontecer de a Nokia apostar no Android. Este seria um caminho mais seguro, mas exigiria maiores mudanças físicas nos aparelhos e até em projetos já prontos.

Se eu fosse da Nokia, já estaria considerando estes dois caminhos como os únicos a seguir, e estaria pensando em fazê-lo logo, porque iPhones e Androids vêm correndo por fora, e bem mais rápido, enquanto a Nokia estagnou.

Categorias:Tecnologia

Eu não odeio a Segunda Feira

Invariavelmente, vejo, ouço e leio pessoas que reclamam a cada novo dia da semana. Se é Segunda, é porque é Segunda. Se é Terça, Quarta ou Quinta, é porque ainda não é Sexta. E aí na Sexta fica aquela expectativa pela chegada no Sábado.

Salvo raras exceções, essas pessoas não estão reclamando pelo fato de estarem muito cansadas e precisarem do fim de semana pra descansar. Tampouco têm algo muito divertido pra fazer que justifique a ansiedade pelo fim de semana.

Eu acho estranho isso de reclamar dos dias da semana. Pessoas que não gostam daquilo que fazem e, mesmo assim, o fazem! Se não gostam do trabalho que têm, da profissão que têm, por quê não então trocar? “Ah, mas eu já enviei tantos currículos e não consegui outra coisa”, você, caro leitor, poderá dizer. E eu concordo. Têm pessoas que simplesmente não ganham uma nova oportunidade.

Mas, se a oportunidade que a vida lhe oferece é a que você tem hoje, por quê não então exercê-la da melhor forma possível? O emprego pode não ser o dos seus sonhos, o salário pode não dar pra comprar o carro que você tanto queria, mas é um emprego. É aquilo que te permite tirar seu sustento, pagar suas contas, viver um dia após o outro.

É preciso lembrar que o viver reclamando também, sempre atrai coisas negativas. Já percebeu que só de ficar do lado daquela pessoa que só reclama de tudo já deixa o ambiente mais pesado? É disso que eu tô falando.

Você acha mesmo que aquelas pessoas que estão sempre pra cima, animadas e motivadas não têm problemas na vida? Conheci um cara que vivia animado e animando os outros. Era o cara que sempre estava lá pra ajudar, o primeiro a chegar e o último a sair. Dava gosto de trabalhar com ele. Ficamos sabendo então que ele e a esposa estavam passando maus bocados com uma gravidez complicada. E nem por isso ele desanimava. Conversei com ele semana passada e soube que a esposa teve o filho, forte, saudável. Ele estava uma alegria só. E as pessoas ao redor dele também ficaram. O que isso tudo quer dizer? Quando fazemos coisas boas, atraímos coisas boas, mesmo passando por uma situação difícil.

Eu costumo dizer que nunca peço nada, porque considero que já tenho tudo aquilo que preciso pra viver, então só agradeço, por tudo. E não odeio a Segunda Feira. Nunca reclamo de ter que levantar cedo nenhum dia, em nenhuma ocasião. Se um dia eu começar a reclamar, então aquilo que eu estou fazendo não me agrada mais, e aí vou procurar mudar.

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Ken Block

Esses dias recebi de um amigo o vídeo abaixo, de um piloto chamado Ken Block.

Eu já tinha visto um outro vídeo dele, mas achei que ele tinha feito apenas aquele, promocionalmente. Não imaginei que o cara era profissional no assunto!

O vídeo abaixo é impressionante!

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Deixando o Passado pra Trás

Eu poderia escrever sobre qualquer coisa aqui. Qualquer coisa. Me propus a fazer um novo Blog  justamente pelo fato de achar que eu tinha muito a dizer, há muito tempo, e precisava colocar pra fora.

Comecei muitos posts mentalmente. Tantos assuntos e idéias que eu vinha matutando, maturando…

E o fato é que eu percebi que não poderia começar a escrever se não escrevesse esse primeiro post sobre um assunto específico, que ronda minha cabeça há mais de três anos. Algo que esteve adormecido, e que ultimamente ganhou novos fatos, o que me permitiu finalmente esclarecer tudo, colocar toda história em ordem cronológica e, principalmente, responder a dúvida que rondava minha mente: por quê?

Comecei a trabalhar muito cedo, já aos 12 anos. Quando vim pra São Paulo, meu primeiro emprego foi dentro de uma oficina de caminhões de uma empresa de coleta pública. E eu digo isso com o maior orgulho. Eu considero que todo meu caminho até aqui é que me tornou quem eu sou, com minhas virtudes e defeitos. Depois de algum tempo, fui concorrer a uma vaga de estágio em duas empresas: uma de TI, que pagava 500 Reais por mês e um Banco, que me pagaria 2 mil Reais por mês.

Na época me lembro que fiquei muito contrariado, porque meu pai sugeriu que eu optasse pela primeira oportunidade, me dizendo que o Banco utilizaria de meus serviços durante cerca de dois anos e depois me mandaria embora (o que descobri mais tarde que efetivamente ocorreu com um conhecido). Optei, portanto, pela sugestão de meu pai.

Cresci rápido. Em 9 meses tinha sido efetivado, e daí então tinha cerca de uma promoção por ano; ou aumento de salário; ou os dois. De Estagiário passei a ser Analista Trainee, Júnior, Pleno e finalmente Líder de Equipe. Tinha decidido por direcionar minha carreira para Gestão, e tudo indicava que seria uma carreira promissora ali dentro.

Assumi um grande projeto. O primeiro do tipo que a empresa assumia dentro daquele cliente. Conhecimento específico. Equipes pequenas e sem conhecimento daquilo. Das três equipes, assumi uma como Líder. Todo trabalho que a equipe desenvolvia passava por mim. Eu validava tudo. Trabalhei como um louco. Dormia pouco, de nervoso, pensando no dia seguinte.  Mas eu adorava. Nunca reclamei de trabalho, só da falta dele. Me sentia útil.

Um dia um erro ocorreu, daquele trabalho que me cabia responsabilidade. Fui questionado e pude provar que não havia falhado, mas não podia justificar a falha. O caso foi abafado. Um abafado nervoso, tenso. E assim caminhou até o fim daquele projeto: tenso.

Uma semana depois do fim do projeto, fui chamado pra uma reunião particular. Estava sendo demitido. Justificativa: seu salário é alto demais para a conta e não há mais projetos onde lhe encaixar. Perdi o chão.

Passei semanas me sentindo o ser humano mais incapaz do mundo. Levei meses pra recuperar a auto-estima. Mas eu ainda não tinha esquecido. Eu nunca soube realmente por que. Aquela versão que ouvi nunca me caiu bem.

Há algumas semanas atrás recebi uma enxurrada de contatos da mesma empresa, agora adquirida por uma outra e com outro nome. Queriam que eu voltasse. Três frentes diferentes tentaram a minha contratação. E as três frentes retornaram com a mesma resposta: há uma restrição de contratação em seu nome. Cavei mais um pouco e descobri a história completa: naquela época, por causa daquele erro, houve uma reunião, questionaram quem era o responsável pelo trabalho e pediram uma “amostra de boa vontade”, a qual me coube assumir. Uma pessoa de alto poder havia ordenado, e não havia mais o que qualquer uma das pessoas próximas a mim pudesse fazer. Pura decisão política.

Aquele sentimento que vinha comigo há tanto tempo, e que só me fazia mal, finalmente me deixou. Passei finalmente a não atrelar mais meus passos a um provável futuro. Me libertei. Entendi que se é assim que é, não quero fazer parte. Prefiro continuar onde sou respeitado. Onde só há pessoas de boa índole. Onde meu trabalho é valorizado exatamente pelo tanto que trabalho. Onde vejo que meu futuro vai acontecer. Eu hoje me identifico inteiramente com o lugar onde trabalho e com as causas que são defendidas, e passei a dar um valor primordial a isso.

Hoje, finalmente, depois de escrever esse texto, deixo meu passado pra trás.

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Deprimido?

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