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Archive for the ‘mimimi’ Category

Futuro

Futuro. O inalcançável. Aquele sobre o qual todos falam, mas que nunca chega.

Quando eu era criança ou adolescente, mesmo estando nos anos 90, o futuro era pensar no ano 2000. Vislumbrávamos carros voadores, viagens intergalácticas e tantas outras coisas mais. E estava logo ali, há menos de dez anos de distância.

Hoje, pensar no futuro é algo mais individualista: uns pensam em 50 anos pra frente, outros em 100, alguns em quase mil. Mas a verdade é que não importa quão longe (ou perto) você pense que o futuro está, uma coisa é certa: ele nunca chegará. Porque o futuro é uma abstração, um idealismo.

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A única coisa que eu tenho certeza sobre o futuro é que nós o fazemos. E o fazemos hoje, no presente. O futuro não precisa ser algo incerto ou incontrolável. Pelo menos não totalmente. Nós construímos nosso futuro, o desenhamos, a cada pequena ação, em cada dia do nosso presente. Mas se não fizermos nada, e simplesmente deixarmos que as coisas aconteçam… aí talvez nos decepcionemos com o que podemos obter do futuro que, no final das contas, escolhemos pra nós, voluntária ou involuntariamente.

Numa conversa informal depois de uma reunião profissional, um conhecido disse uma frase que ficou na minha cabeça. Ele disse: “E passa tão rápido!”. Se referia à vida de um modo geral, às decisões que tomou, e até àquelas que deixou de tomar. Palavras simples, que guardavam tanto conteúdo. E eu concordo com ele: cada dia que postergamos uma ação, que deixamos de fazer algo que deveríamos fazer e que invariavelmente vai impactar no nosso futuro e, sendo esta mudança para algo bom, é um dia a menos, nunca um dia a mais. Porque tudo passa rápido demais.

O futuro é feito por ações. Nossas ações. Ele nunca chega, mas está sempre aí. E ele não nos espera pra acontecer.

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Brasil, um país de tolos?

Dê uma boa olhada em volta. Observe o jeito das pessoas, as notícias na TV, a falta de infra-estrutura e serviços públicos de um modo geral… enfim, tudo que o rodeia. Agora, saiba de uma coisa: pode passar o tempo que for, isso tudo não vai mudar.

Uma vez ouvi de uma pessoa uma teoria que me pareceu ser bem sensata: quando descoberto, o Brasil serviu de fonte de insumos para nossos colonizadores. Não se veio aqui com a ideia original de colonizar, procriar, construir e ficar. Queriam mesmo era nossas riquezas naturais. O Brasil é originalmente um país de saqueadores, e assim se perpetuou até hoje; e assim se perpetuará por muitos e muitos anos.

Não quero dizer com isso que eu não acredite na evolução da raça humana. Nós temos pessoas educadíssimas em nosso país. Uma parcela da população que tem bom senso, que pensa no próximo e que faz o que pode para tornar nosso país um lugar melhor para se viver. O problema é que essa parcela da população é minoria. E o pior de tudo isso é que ter bom senso, no sentido que cito aqui, não é nem uma questão de instrução. Conheço faxineiras que dariam aula de bons modos e bom senso a muito executivo engravatado por aí.

No prédio onde moro mesmo há um bom exemplo: é um prédio de bom nível, muitas famílias que já tiveram seus primeiros apartamentos no começo e adquiriram um maior. Nas reuniões de condomínio há muitos engenheiros, arquitetos, advogados, empresários entre outros. Mesmo assim, pessoas arremessam bitucas de cigarro pelas janelas, mesmo já tendo sido feita uma campanha de conscientização sobre o risco de essa bituca entrar por uma janela de algum andar mais baixo e colocar em risco todo o prédio. Num outro caso, cansa-se de comprar adaptadores de tomada para os equipamentos da academia: todos são furtados.

O brasileiro é e vai ser ainda por muito tempo um povo que tem pensamento individualista. E, mais do que isso, que não respeita o que é do outro ou o que é público: “Se não é meu, tanto faz”. Você pode ver isso com a forma como nossos políticos tratam geralmente nosso dinheiro, ou como se dirige no trânsito de São Paulo (assunto pra um post à parte, aliás). É a lei do cada um por si.

Então está tudo perdido? Não, eu não penso assim. Se cada uma dessas pessoas de bom senso conseguir mudar a cabeça de pelo menos uma pessoa, já terá feito algo pelo país. Essa pessoa poderá difundir isso em casa, entre os amigos… e quem sabe daqui uns 150, 200 anos não teremos um país melhor pra todos nós?

Não, eu não estou brincando sobre os 150 ou 200 anos.

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Meu erro… e o que não é erro meu

Eu não sou uma pessoa difícil. Tenho meus defeitos, qualidades e ajo de acordo com o que acho correto. Sou honesto, às vezes até demais, e procuro deixar sempre clara minha opinião sobre aquilo que me diz respeito, ou ao que pedem minha opinião.

Tenho também meus princípios. Sou certinho demais pra muita coisa, imediatista pra outras e muitas vezes até de certa forma impaciente.

Não gosto de me decepcionar, seja com pessoas, com projetos ou com situações. E, por isso, no que depende de mim sempre coloco os maiores esforços possíveis em quase tudo que eu faço. Não sou uma pessoa difícil de se conviver, nem de trabalhar junto, mas minhas expectativas são sempre altas. E isso não quer dizer que vou ficar parado, só olhando, enquanto espero os resultados: eu normalmente ponho a mão na massa, faço mesmo tudo o que posso pra desenrolar o máximo de coisa que posso pra fazer aquilo acontecer.

Mas eu me frustro muito quando espero que alguém faça sua parte para que eu possa fazer a minha, e aquela parte não é feita, ou não sai do jeito que eu esperava. E aí, o que era inteiro interesse de minha parte se torna até uma certa aversão: se não está saindo, se eu não estou conseguindo fazer rolar, então melhor simplesmente eu não participar mais.

Só que, por outro lado, eu acredito demais nas pessoas. Tanto no sentido de “botar fé” mesmo quanto de ser às vezes até meio ingênuo. Eu acredito que se eu ajo assim com as pessoas, é assim que elas vão agir comigo também. É evidente que algumas coisas nota-se logo de cara, como alguém mal intencionado, mas outras coisas me deixam realmente intrigado. E aí eu sou por vezes incapaz de ser mais duro, de tomar uma posição e exprimir uma opinião mais séria, mais direta. E quando o faço, eu mesmo me chateio, simplesmente pelo fato de que não gosto de me indispôr com ninguém, e porque fico pensando depois se aquilo era realmente necessário. Essa semana precisei fazer isso, e fiquei pensativo, chateado… me sentindo culpado. Embora um outro lado meu saiba que foi o melhor a fazer, um outro se chateia pelo motivo que gerou a situação, e onde ela chegou.

E vou eu ficando aqui remoendo a situação, meio arrependido, meio orgulhoso, mas invariavelmente chateado.

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Atender bem pra quê?

Tenho ficado assustado com o atual nível de prestação de serviço que as maiores empresas de seus setores têm sujeitado seus consumidores ultimamente. Falta de cortesia, conhecimento das leis, atenção e até educação estão entre algumas das causas mais comuns. Mas a simples execução das atividades-base dessas companhias se torna um grande desafio.

Pra conseguir comprar um serviço, então, a coisa é pior ainda. A começar pelo atendimento. Encontrar um atendente de Telemarketing que consiga resolver problemas é como achar uma agulha num palheiro. Quando se acha, é preciso torcer para que este esteja de bom humor, que esteja disposto a resolver o problema e que, principalmente, a ligação não caia. Porque se cair, meu amigo, quando você ligar de novo vai pegar “aquele” atendente, e vai descobrir que tudo o que você falou para o anterior não foi registrado.

O que é pior é que quem gasta mais com isso, normalmente, não é o consumidor, mas a própria empresa. Ligações para 0800 (que custam muita grana), tarefas que têm de ser executadas duas, três vezes, custos com visitas aos consumidores (no caso das empresas de TV a cabo, por exemplo) e até mesmo com remessas, devoluções e novas remessas. Isso tudo é um custo que vai crescendo do lado da companhia. E no final, o custo acaba sendo embutido no preço do produto! Ou seja: você, caro consumidor, está pagando pela incompetência deles!

E o Ombudsman?! É um absurdo que empresas tenham que ter Ombudsman. Aliás, o Ombudsman deveria ser uma pessoa, responsável por defender os interesses dos consumidores no geral e recebendo reclamações esporádicas apenas nos casos mais extremos. Mas em dias como os atuais, quando as empresas não conseguem acertar uma dentro, algumas delas já têm verdadeiros departamentos cheios de pessoas desse tipo.

O que falta então, para que as empresas voltem a atender bem seus consumidores finais? Eu divido essas razões em três pontos principais.

A primeira razão, que é algo que sempre faltou e sempre faltará, tem a ver com a questão cultural. O brasileiro não tem, por questões culturais, o costume de brigar por aquilo que é correto. Normalmente aceita aquilo que é dito ou imposto desconhecendo ou não fazendo valer seus direitos como consumidor.

O segundo fator importante diz respeito à também cultural desobediência às leis e regras do nosso país. As empresas encontram brechas ou atuam ilegalmente de forma consciente, por puro desrespeito às leis. O problema é que como as pessoas da linha de frente, vulgo “atendentes”, não são ensinados do procedimento correto, agem ilegalmente de forma convincente, porque foram ensinadas de que aquela era a forma correta.

O terceiro e mais lógico fator tem a ver com o segundo, e diz respeito àqueles que deveriam fazer valer as leis: nossos políticos. Se houvesse real fiscalização e cerco fechado quanto a essas práticas, e fossem também punidas pelos casos de mau atendimento, incluindo produtos e serviços não entregues como manda a lei, as empresas seriam desencorajadas a agir de forma ilegal e, mesmo sem o conhecimento do consumidor, este receberia os produtos e serviços pelos quais pagou, da forma como tem que ser.

Quando isso vai mudar? Não tão cedo. Dos três pontos acima, o mais certo é que o que mude primeiro seja o consumidor tomar ciência de seus direitos e começar a exigir isso das empresas. Nossos políticos vão evidentemente ficar só olhando e, tardiamente, como já é de costume, informar que está monitorando aquilo que terá sido uma conquista – e com méritos – da população. Enquanto isso nós continuamos ligando para as centrais de atendimento em quantidade de vezes que normalmente atingem números de dois dígitos, apenas para assistir TV ou ter nossos celulares funcionando, serviços os quais pagamos muito caro, aliás.

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Uma questão de tempo

São tempos difíceis estes onde quando honra, respeito e palavra não significam mais nada. O que foi prometido pode ser esquecido, o que foi combinado não precisa ser cumprido e o que fala mais alto, invariavelmente, é o montante de dinheiro – ou de falta dele.

É uma situação que de época em época me chateia consideravelmente, ainda mais quando vivemos também uma época onde cada vez mais pessoas percebem que sozinhos não caminhamos pra lugar algum, e que é preciso pensar sempre num bem coletivo para que todos possamos ir pra frente. O grande problema disso é que é mais fácil, prático e danoso agir de forma negativa do que positiva e, contrariando o dito popular, é por causa disso que o mal invariavelmente vence o bem.

“Não devemos desanimar”, minha mãe diz. “Sabíamos desde o começo que seria assim”, ela completa. Talvez. Mas desanima mesmo saber que enquanto estamos de um lado tentando aplicar o bem e passar isso pra frente, do outro há pessoas indiscriminadamente fazendo aquilo que é melhor apenas pra elas, tirando proveito dos outros e pouco considerando qualquer fator externo aos de suas próprias e miseráveis vidas.

Penso positivo, apesar disso, a maior parte do tempo. Eu acredito que pouco a pouco as pessoas de um modo geral vão acordando, percebendo e se perguntando “por quê” e “pra quê”. Embora seja um realista irremediável, eu ainda boto fé que, apesar do longo caminho que temos pra percorrer, cada vez ele fica mais curto, devido à quantidade de informação de que cada um dispõe em quantidade cada vez maior.

E é só a informação que pode nos salvar. Ou, como chamam por aí, a “educação”. Mas a educação nada mais é do que uma série de informações que nos são passadas e, quanto maior a quantidade de informação, mais crítico fica nosso intelecto quanto àquilo que nos rodeia. Olho, portanto, de forma muito positiva a entrada de classes menos favorecidas no mundo virtual. Já que estas classes não podem contar com a educação em si, como lhes deveria ser oferecida, que tenham pelo menos contato com um mundo com pessoas diferentes, onde podem se deparar com mundos diferentes e passar a pensar de formas diferentes.

É tudo uma questão de tempo. Mas será todo o tempo que temos disponível, suficiente pra que esse novo tempo chegue?

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Deixando o Passado pra Trás

Eu poderia escrever sobre qualquer coisa aqui. Qualquer coisa. Me propus a fazer um novo Blog  justamente pelo fato de achar que eu tinha muito a dizer, há muito tempo, e precisava colocar pra fora.

Comecei muitos posts mentalmente. Tantos assuntos e idéias que eu vinha matutando, maturando…

E o fato é que eu percebi que não poderia começar a escrever se não escrevesse esse primeiro post sobre um assunto específico, que ronda minha cabeça há mais de três anos. Algo que esteve adormecido, e que ultimamente ganhou novos fatos, o que me permitiu finalmente esclarecer tudo, colocar toda história em ordem cronológica e, principalmente, responder a dúvida que rondava minha mente: por quê?

Comecei a trabalhar muito cedo, já aos 12 anos. Quando vim pra São Paulo, meu primeiro emprego foi dentro de uma oficina de caminhões de uma empresa de coleta pública. E eu digo isso com o maior orgulho. Eu considero que todo meu caminho até aqui é que me tornou quem eu sou, com minhas virtudes e defeitos. Depois de algum tempo, fui concorrer a uma vaga de estágio em duas empresas: uma de TI, que pagava 500 Reais por mês e um Banco, que me pagaria 2 mil Reais por mês.

Na época me lembro que fiquei muito contrariado, porque meu pai sugeriu que eu optasse pela primeira oportunidade, me dizendo que o Banco utilizaria de meus serviços durante cerca de dois anos e depois me mandaria embora (o que descobri mais tarde que efetivamente ocorreu com um conhecido). Optei, portanto, pela sugestão de meu pai.

Cresci rápido. Em 9 meses tinha sido efetivado, e daí então tinha cerca de uma promoção por ano; ou aumento de salário; ou os dois. De Estagiário passei a ser Analista Trainee, Júnior, Pleno e finalmente Líder de Equipe. Tinha decidido por direcionar minha carreira para Gestão, e tudo indicava que seria uma carreira promissora ali dentro.

Assumi um grande projeto. O primeiro do tipo que a empresa assumia dentro daquele cliente. Conhecimento específico. Equipes pequenas e sem conhecimento daquilo. Das três equipes, assumi uma como Líder. Todo trabalho que a equipe desenvolvia passava por mim. Eu validava tudo. Trabalhei como um louco. Dormia pouco, de nervoso, pensando no dia seguinte.  Mas eu adorava. Nunca reclamei de trabalho, só da falta dele. Me sentia útil.

Um dia um erro ocorreu, daquele trabalho que me cabia responsabilidade. Fui questionado e pude provar que não havia falhado, mas não podia justificar a falha. O caso foi abafado. Um abafado nervoso, tenso. E assim caminhou até o fim daquele projeto: tenso.

Uma semana depois do fim do projeto, fui chamado pra uma reunião particular. Estava sendo demitido. Justificativa: seu salário é alto demais para a conta e não há mais projetos onde lhe encaixar. Perdi o chão.

Passei semanas me sentindo o ser humano mais incapaz do mundo. Levei meses pra recuperar a auto-estima. Mas eu ainda não tinha esquecido. Eu nunca soube realmente por que. Aquela versão que ouvi nunca me caiu bem.

Há algumas semanas atrás recebi uma enxurrada de contatos da mesma empresa, agora adquirida por uma outra e com outro nome. Queriam que eu voltasse. Três frentes diferentes tentaram a minha contratação. E as três frentes retornaram com a mesma resposta: há uma restrição de contratação em seu nome. Cavei mais um pouco e descobri a história completa: naquela época, por causa daquele erro, houve uma reunião, questionaram quem era o responsável pelo trabalho e pediram uma “amostra de boa vontade”, a qual me coube assumir. Uma pessoa de alto poder havia ordenado, e não havia mais o que qualquer uma das pessoas próximas a mim pudesse fazer. Pura decisão política.

Aquele sentimento que vinha comigo há tanto tempo, e que só me fazia mal, finalmente me deixou. Passei finalmente a não atrelar mais meus passos a um provável futuro. Me libertei. Entendi que se é assim que é, não quero fazer parte. Prefiro continuar onde sou respeitado. Onde só há pessoas de boa índole. Onde meu trabalho é valorizado exatamente pelo tanto que trabalho. Onde vejo que meu futuro vai acontecer. Eu hoje me identifico inteiramente com o lugar onde trabalho e com as causas que são defendidas, e passei a dar um valor primordial a isso.

Hoje, finalmente, depois de escrever esse texto, deixo meu passado pra trás.

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