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Armin van Buuren na Pacha/SP – 26/02/2011

Tendo acumulado a bagagem musical da minha vida até aqui, eu tinha três grandes sonhos de shows que eu gostaria de assistir antes de morrer. O primeiro, Faithless, um grupo de música eletrônica inglês, realizei na edição do Skol Beats de 2005. O show foi simplesmente demais.

O segundo, Genesis, uma banda de rock progressivo que por vez ou outra se apresenta junto, acho que talvez nunca realize.

O terceiro, e mais provável de ser realizado, era Armin van Buuren, um DJ holandês consagrado como o melhor do mundo pela quarta vez, em 2010. Ele tem vindo pelo menos uma vez por ano ao Brasil, então bastava encontrar a data certa. E ela aconteceu, no último Sábado, quando ele se apresentou na Pacha, aqui em São Paulo.

Aliás, uma curiosidade, eu descobri que Armin vinha por acaso. Meu irmão que mora em Poços de Caldas, Guilherme, disse que talvez entrevistaria Tiësto, outro DJ (também holandês) que fará algumas apresentações durante o Carnaval, e havia me convidado pra participar. Olhando as datas das apresentações, descobri que Armin vinha, e então desconsiderei Tiësto imediatamente: era minha chance.

O primeiro grande passo era convencer a Volpe a ir, uma vez que não é nem de longe o estilo que ela curte. Mas eu tava em crédito desde a ída ao show do Bon Jovi, então era hora de cobrar. E, no final das contas, foi ela quem ficou me instigando pra comprar os ingressos.

Eu via os DVDs dos shows de Armin van Buuren na Europa, ouvia as apresentações ao vivo pela internet e tinha certeza de que seria uma apresentação incrível. Tanto tinha certeza que comprei dois ingressos na área VIP da Pacha. Caros, mas bem mais baratos considerando o preço de ingressos de shows em estádios.  Considerei que seriam áreas mais reservadas, com visão privilegiada, atendimento diferenciado e toda comodidade que o valor pago permitiria. Cheguei a baixar a planta da Pacha/Warehouse para ver como era, e até a trocar e-mails com o pessoal da casa pra me certificar do quê estava comprando.

Chegado o grande dia, eu e Volpe nos preparamos bem: dormimos bastante durante o dia (eu vi que a apresentação seria das 3 às 5 da manhã), comemos, tomamos energéticos e saímos de casa num bom horário, pouco depois das 11 da noite. Ao chegar, sem maiores problemas: estacionamento coberto (30 Reais, mas fazer o quê, né?), seguranças educados, casa ampla, sinalizada e relativamente vazia. Tudo estava saindo conforme eu imaginava!

Quando nos ambientamos, a primeira coisa que me chamou atenção foi o preço das coisas: uma Smirnoff Ice custava 15 Reais. Uma água, R$9,50. Mas ok, estávamos ali pra nos divertir, então vamos aproveitar.

Logo em seguida, percebi que da área VIP que fica na lateral do palco é praticamente impossível ver o DJ, porque o corpo dele é tampado por uma enorme caixa de som que parece ter sido estrategicamente colocada naquela posição. Aquelas caixas deveriam ser colocadas do lado do telão que fica atrás do DJ, ou diminuídas verticalmente para que permitam a visão dele. Sendo assim, descemos pra pista, fora da área VIP, e decidimos ficar bem na frente do palco, já que o pessoal estava bem espalhado.

Por volta das 2:40 da manhã, com a proximidade do início da apresentação, o pessoal que estava até então longe da pista, ou que estava chegando, começou a se aproximar da frente, e cheguei a ter a nítida impressão de que um rapaz mergulhou por cima de todo mundo pra ficar na frente. Depois de muita cotovelada e empurra-empurra, vimos que não seria possível assistir à apresentação dali, e então resolvemos voltar pra área VIP.

Foi então que percebemos o mar de pessoas que havia se formado na Warehouse, a maior pista da casa onde a apresentação já estava rolando. Soube depois que havia 5 mil pessoas lá dentro. Deve se ter vendido ingresso enquanto houve interesse em comprá-los.

Tentamos então falar com um segurança da área VIP, pra avisar do nosso nadador na pista, que estava atrapalhando todo mundo que era possível, e o segurança nos disse que não havia nada que ele podia fazer, uma vez que os rádios da pista e da área VIP teriam frequências diferentes. Uau.

Tínhamos achado também que a pista estava quente demais, e então percebemos que toda a casa estava na mesma temperatura, e era impossível não sentir um calor extremo, maior talvez até do que o calor de 40 graus que pegamos em nossa viagem pra Buenos Aires. O sistema de ventilação da Pacha-SP é horrível, faltando ventiladores – pelo menos –  na área VIP e Camarotes.

Na área VIP, ficamos então sem ver o DJ, mas eu tinha grande expectativa na apresentação. “As músicas vão ser boas pelo menos“, eu pensava. Passaram-se então meia hora, uma hora, uma hora e meia… e eu tinha ouvido apenas duas músicas das inúmeras que eu esperava ouvir. E foi aí que eu desanimei de verdade.

Armin priorizou músicas da produtora dele, a Armada Music, e desconsiderou completamente que estava tocando para um público que tinha a oportunidade de vê-lo e ouvi-lo uma vez ou outra só. Ele tocou como se estivesse tocando numa casa noturna européia, e ficamos sem ouvir qualquer um dos grandes sucessos que ele tem.

Mas, de qualquer forma, isso pouco importou para quem estava lá. Percebi que talvez um por cento do público conhecia alguma coisa dele, e os comentários posteriores ao show no Twitter, dizendo que a apresentação tinha sido “sensacional” e que “por isso ele era o melhor do mundo” só me fizeram concluir que quem estava lá não sabia muito bem o que estava ouvindo, mas só quem estava tocando.

O público, aliás, foi um caso à parte: foi uma coisa legal ver que tinha gente de tudo quanto é idade na casa. Vi homens e mulheres que aparentavam fácil estar beirando os 50 anos, e não necessariamente homossexuais, que costumam ser mais descolados pra essas coisas. Mas foi triste ver que cada vez mais gente se acaba com drogas e com excesso de álcool. Aliás, mais uma vez comprovei que nosso tão amado povo realmente é sem noção: homens sem camisa dançando em cima do sofá do Camarote e mulheres com vestidos que pareciam mais uma meia-calça grande são apenas duas das coisas bizarras que presenciamos.

Quando faltavam 10 minutos para as 5 da manhã, certo de que a apresentação estava pra terminar e morrendo de calor, resolvemos ir embora. Pelo menos nessa parte foi tudo tranquilo: pagamos, saímos e pegamos o carro em minutos.

Resumo da noite: foi muito menos do que eu esperava. Acho que pra conseguir assistir um show dele no nível que vejo nos DVDs, só indo pra Europa mesmo, o que me faz deixar este sonho no mesmo nível de expectativa em que deixo o de assistir a um show do Genesis.

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Categorias:Música
  1. Ana Paula Volpe
    01/03/2011 às 10:11

    O que mais deixou a desejar na minha opinião foi o layout do local e a distribuição dos equipamentos que não permitiu a quem estava na área VIP ver o DJ :/
    Mas eu gostei Oliveiraaaa!! :D

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