Guerras Modernas

As guerras ainda são ganhas ou perdidas dando a vida. Mas as batalhas não têm mais as mesmas armas de antes.
Cada dia é uma batalha, uma nova trincheira… e acaba com vitórias… ou derrotas.

Os adversários não são mais de outros países, ou outra opinião política. Ou talvez até sejam! Mas estão bem ali, ao alcance de um clique.

A glória pode ser como você quiser: o simples prazer de se vencer uma batalha e voltar pra casa, estar num lugar que se pode chamar de lar… ou financeiro, comemorando sozinho em algum bar por aí.

Os tempos são outros. As causas são outras. A importância que se dá é a mesma, mas existe algo bem diferente. Não se disputam mais terras, honras, vida ou morte. Dá-se apenas o mesmo brilho, ou maior, mas não se ganha nem se perde nada no final.

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Futuro

Futuro. O inalcançável. Aquele sobre o qual todos falam, mas que nunca chega.

Quando eu era criança ou adolescente, mesmo estando nos anos 90, o futuro era pensar no ano 2000. Vislumbrávamos carros voadores, viagens intergalácticas e tantas outras coisas mais. E estava logo ali, há menos de dez anos de distância.

Hoje, pensar no futuro é algo mais individualista: uns pensam em 50 anos pra frente, outros em 100, alguns em quase mil. Mas a verdade é que não importa quão longe (ou perto) você pense que o futuro está, uma coisa é certa: ele nunca chegará. Porque o futuro é uma abstração, um idealismo.

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A única coisa que eu tenho certeza sobre o futuro é que nós o fazemos. E o fazemos hoje, no presente. O futuro não precisa ser algo incerto ou incontrolável. Pelo menos não totalmente. Nós construímos nosso futuro, o desenhamos, a cada pequena ação, em cada dia do nosso presente. Mas se não fizermos nada, e simplesmente deixarmos que as coisas aconteçam… aí talvez nos decepcionemos com o que podemos obter do futuro que, no final das contas, escolhemos pra nós, voluntária ou involuntariamente.

Numa conversa informal depois de uma reunião profissional, um conhecido disse uma frase que ficou na minha cabeça. Ele disse: “E passa tão rápido!”. Se referia à vida de um modo geral, às decisões que tomou, e até àquelas que deixou de tomar. Palavras simples, que guardavam tanto conteúdo. E eu concordo com ele: cada dia que postergamos uma ação, que deixamos de fazer algo que deveríamos fazer e que invariavelmente vai impactar no nosso futuro e, sendo esta mudança para algo bom, é um dia a menos, nunca um dia a mais. Porque tudo passa rápido demais.

O futuro é feito por ações. Nossas ações. Ele nunca chega, mas está sempre aí. E ele não nos espera pra acontecer.

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A Gestão de Projetos e Seus Inimigos

O Gerente de Projetos é chamado pra uma reunião surpresa. Na sala, reunidos, todos os grandes Diretores da companhia, bem como algumas pessoas de alto cargo de um dos clientes. A ele é passada uma rápida descrição de um projeto, a notícia de que este ficará sob sua responsabilidade… e um prazo apertadíssimo, que já está atrasado.

O que pode parecer a descrição de um filme de suspense não passa de pura realidade. É o que sofre na pele maioria dos Gerentes de Projetos atuais, independente de qual área, mas tratando neste caso mais especificamente da de TI.

Com o crescimento da quantidade de empresas de desenvolvimento, as empresas têm buscado se diferenciar não apenas pelo preço, mas também pelo prazo dos projetos. Prometem-se datas-alvo absurdas a fim de conquistar um novo cliente e, estes clientes, muitas vezes desavisados ou incapazes de mensurar o risco disso, tomam esta variável como fator de peso na decisão do prestador de serviços.

A qualidade, obviamente, fica comprometida: com menos tempo, muitas fases de análise e validação são cortadas ou diminuídas, para que a equipe possa focar exclusivamente no desenvolvimento. O resultado disso são produtos finais com uma série de falhas, e problemas que terão de ser tratados (ou tolerados) durante toda sua vida útil.

O que os Desenvolvedores (e até mesmo os Gerentes de Projeto) acabam geralmente não se questionando é o porque de ter sido acordado um prazo tão apertado. Muitas vezes não se trata de necessidade por causa de algum prazo que o cliente tenha de cumprir com um fornecedor antigo ou algo assim (o que realmente pode até acontecer), mas na maioria dos casos é apenas um prazo mal estimado por profissionais que não têm a capacidade de fazê-lo. A área de desenvolvimento invariavelmente nem é envolvida na avaliação do escopo ou do prazo do projeto, bem como o próprio Gerente de Projeto. Ou pior, este até é chamado, mas não tem a capacidade necessária para avaliar sozinho estes itens. Como resultado, a equipe de desenvolvimento recebe um escopo muitas vezes mal avaliado e com um prazo irreal. Como este já vem formalizado, resta ao Gerente e Desenvolvedores reclamarem ao vento, e bolar planos mirabolantes para que seja possível cumpri-lo.

Engana-se ainda quem pensa que esse comportamento ocorre apenas nas pequenas empresas. Muito pelo contrário: as grandes empresas é que acabam sofrendo devido inicialmente ao enorme abismo existente entre Área Comercial e de Desenvolvimento, onde as menores empresas acabam tirando vantagem, uma vez que ou não dispõem de Departamento Comercial ou quem faz as vezes desta tem o conhecimento necessário para saber o que dá ou não pra fazer e qual o tempo necessário. E é isso que faz com que as empresas menores tenham competitividade com as maiores, mesmo prestando o meso tipo de serviço.

Sou particularmente prova viva de que um projeto bem estimado, planejado e executado com os passos necessários traz resultados muito superiores, menos erros, mais qualidade e, consequentemente, clientes mais satisfeitos. E o que eu sugiro para meus amigos gestores que se deparam com situações como as citadas nesse post é: questionem e conheçam. Questionem a razão para haver um prazo tão apertado e conheçam todo o escopo do projeto para poderem contra-argumentar numa discussão. A informação, muitas vezes, é a arma necessária para ganhar esta batalha, e poder travar todas as outras com mais tranquilidade.

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Brasil, um país de tolos?

Dê uma boa olhada em volta. Observe o jeito das pessoas, as notícias na TV, a falta de infra-estrutura e serviços públicos de um modo geral… enfim, tudo que o rodeia. Agora, saiba de uma coisa: pode passar o tempo que for, isso tudo não vai mudar.

Uma vez ouvi de uma pessoa uma teoria que me pareceu ser bem sensata: quando descoberto, o Brasil serviu de fonte de insumos para nossos colonizadores. Não se veio aqui com a ideia original de colonizar, procriar, construir e ficar. Queriam mesmo era nossas riquezas naturais. O Brasil é originalmente um país de saqueadores, e assim se perpetuou até hoje; e assim se perpetuará por muitos e muitos anos.

Não quero dizer com isso que eu não acredite na evolução da raça humana. Nós temos pessoas educadíssimas em nosso país. Uma parcela da população que tem bom senso, que pensa no próximo e que faz o que pode para tornar nosso país um lugar melhor para se viver. O problema é que essa parcela da população é minoria. E o pior de tudo isso é que ter bom senso, no sentido que cito aqui, não é nem uma questão de instrução. Conheço faxineiras que dariam aula de bons modos e bom senso a muito executivo engravatado por aí.

No prédio onde moro mesmo há um bom exemplo: é um prédio de bom nível, muitas famílias que já tiveram seus primeiros apartamentos no começo e adquiriram um maior. Nas reuniões de condomínio há muitos engenheiros, arquitetos, advogados, empresários entre outros. Mesmo assim, pessoas arremessam bitucas de cigarro pelas janelas, mesmo já tendo sido feita uma campanha de conscientização sobre o risco de essa bituca entrar por uma janela de algum andar mais baixo e colocar em risco todo o prédio. Num outro caso, cansa-se de comprar adaptadores de tomada para os equipamentos da academia: todos são furtados.

O brasileiro é e vai ser ainda por muito tempo um povo que tem pensamento individualista. E, mais do que isso, que não respeita o que é do outro ou o que é público: “Se não é meu, tanto faz”. Você pode ver isso com a forma como nossos políticos tratam geralmente nosso dinheiro, ou como se dirige no trânsito de São Paulo (assunto pra um post à parte, aliás). É a lei do cada um por si.

Então está tudo perdido? Não, eu não penso assim. Se cada uma dessas pessoas de bom senso conseguir mudar a cabeça de pelo menos uma pessoa, já terá feito algo pelo país. Essa pessoa poderá difundir isso em casa, entre os amigos… e quem sabe daqui uns 150, 200 anos não teremos um país melhor pra todos nós?

Não, eu não estou brincando sobre os 150 ou 200 anos.

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Meu erro… e o que não é erro meu

Eu não sou uma pessoa difícil. Tenho meus defeitos, qualidades e ajo de acordo com o que acho correto. Sou honesto, às vezes até demais, e procuro deixar sempre clara minha opinião sobre aquilo que me diz respeito, ou ao que pedem minha opinião.

Tenho também meus princípios. Sou certinho demais pra muita coisa, imediatista pra outras e muitas vezes até de certa forma impaciente.

Não gosto de me decepcionar, seja com pessoas, com projetos ou com situações. E, por isso, no que depende de mim sempre coloco os maiores esforços possíveis em quase tudo que eu faço. Não sou uma pessoa difícil de se conviver, nem de trabalhar junto, mas minhas expectativas são sempre altas. E isso não quer dizer que vou ficar parado, só olhando, enquanto espero os resultados: eu normalmente ponho a mão na massa, faço mesmo tudo o que posso pra desenrolar o máximo de coisa que posso pra fazer aquilo acontecer.

Mas eu me frustro muito quando espero que alguém faça sua parte para que eu possa fazer a minha, e aquela parte não é feita, ou não sai do jeito que eu esperava. E aí, o que era inteiro interesse de minha parte se torna até uma certa aversão: se não está saindo, se eu não estou conseguindo fazer rolar, então melhor simplesmente eu não participar mais.

Só que, por outro lado, eu acredito demais nas pessoas. Tanto no sentido de “botar fé” mesmo quanto de ser às vezes até meio ingênuo. Eu acredito que se eu ajo assim com as pessoas, é assim que elas vão agir comigo também. É evidente que algumas coisas nota-se logo de cara, como alguém mal intencionado, mas outras coisas me deixam realmente intrigado. E aí eu sou por vezes incapaz de ser mais duro, de tomar uma posição e exprimir uma opinião mais séria, mais direta. E quando o faço, eu mesmo me chateio, simplesmente pelo fato de que não gosto de me indispôr com ninguém, e porque fico pensando depois se aquilo era realmente necessário. Essa semana precisei fazer isso, e fiquei pensativo, chateado… me sentindo culpado. Embora um outro lado meu saiba que foi o melhor a fazer, um outro se chateia pelo motivo que gerou a situação, e onde ela chegou.

E vou eu ficando aqui remoendo a situação, meio arrependido, meio orgulhoso, mas invariavelmente chateado.

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Armin van Buuren na Pacha/SP – 26/02/2011

Tendo acumulado a bagagem musical da minha vida até aqui, eu tinha três grandes sonhos de shows que eu gostaria de assistir antes de morrer. O primeiro, Faithless, um grupo de música eletrônica inglês, realizei na edição do Skol Beats de 2005. O show foi simplesmente demais.

O segundo, Genesis, uma banda de rock progressivo que por vez ou outra se apresenta junto, acho que talvez nunca realize.

O terceiro, e mais provável de ser realizado, era Armin van Buuren, um DJ holandês consagrado como o melhor do mundo pela quarta vez, em 2010. Ele tem vindo pelo menos uma vez por ano ao Brasil, então bastava encontrar a data certa. E ela aconteceu, no último Sábado, quando ele se apresentou na Pacha, aqui em São Paulo.

Aliás, uma curiosidade, eu descobri que Armin vinha por acaso. Meu irmão que mora em Poços de Caldas, Guilherme, disse que talvez entrevistaria Tiësto, outro DJ (também holandês) que fará algumas apresentações durante o Carnaval, e havia me convidado pra participar. Olhando as datas das apresentações, descobri que Armin vinha, e então desconsiderei Tiësto imediatamente: era minha chance.

O primeiro grande passo era convencer a Volpe a ir, uma vez que não é nem de longe o estilo que ela curte. Mas eu tava em crédito desde a ída ao show do Bon Jovi, então era hora de cobrar. E, no final das contas, foi ela quem ficou me instigando pra comprar os ingressos.

Eu via os DVDs dos shows de Armin van Buuren na Europa, ouvia as apresentações ao vivo pela internet e tinha certeza de que seria uma apresentação incrível. Tanto tinha certeza que comprei dois ingressos na área VIP da Pacha. Caros, mas bem mais baratos considerando o preço de ingressos de shows em estádios.  Considerei que seriam áreas mais reservadas, com visão privilegiada, atendimento diferenciado e toda comodidade que o valor pago permitiria. Cheguei a baixar a planta da Pacha/Warehouse para ver como era, e até a trocar e-mails com o pessoal da casa pra me certificar do quê estava comprando.

Chegado o grande dia, eu e Volpe nos preparamos bem: dormimos bastante durante o dia (eu vi que a apresentação seria das 3 às 5 da manhã), comemos, tomamos energéticos e saímos de casa num bom horário, pouco depois das 11 da noite. Ao chegar, sem maiores problemas: estacionamento coberto (30 Reais, mas fazer o quê, né?), seguranças educados, casa ampla, sinalizada e relativamente vazia. Tudo estava saindo conforme eu imaginava!

Quando nos ambientamos, a primeira coisa que me chamou atenção foi o preço das coisas: uma Smirnoff Ice custava 15 Reais. Uma água, R$9,50. Mas ok, estávamos ali pra nos divertir, então vamos aproveitar.

Logo em seguida, percebi que da área VIP que fica na lateral do palco é praticamente impossível ver o DJ, porque o corpo dele é tampado por uma enorme caixa de som que parece ter sido estrategicamente colocada naquela posição. Aquelas caixas deveriam ser colocadas do lado do telão que fica atrás do DJ, ou diminuídas verticalmente para que permitam a visão dele. Sendo assim, descemos pra pista, fora da área VIP, e decidimos ficar bem na frente do palco, já que o pessoal estava bem espalhado.

Por volta das 2:40 da manhã, com a proximidade do início da apresentação, o pessoal que estava até então longe da pista, ou que estava chegando, começou a se aproximar da frente, e cheguei a ter a nítida impressão de que um rapaz mergulhou por cima de todo mundo pra ficar na frente. Depois de muita cotovelada e empurra-empurra, vimos que não seria possível assistir à apresentação dali, e então resolvemos voltar pra área VIP.

Foi então que percebemos o mar de pessoas que havia se formado na Warehouse, a maior pista da casa onde a apresentação já estava rolando. Soube depois que havia 5 mil pessoas lá dentro. Deve se ter vendido ingresso enquanto houve interesse em comprá-los.

Tentamos então falar com um segurança da área VIP, pra avisar do nosso nadador na pista, que estava atrapalhando todo mundo que era possível, e o segurança nos disse que não havia nada que ele podia fazer, uma vez que os rádios da pista e da área VIP teriam frequências diferentes. Uau.

Tínhamos achado também que a pista estava quente demais, e então percebemos que toda a casa estava na mesma temperatura, e era impossível não sentir um calor extremo, maior talvez até do que o calor de 40 graus que pegamos em nossa viagem pra Buenos Aires. O sistema de ventilação da Pacha-SP é horrível, faltando ventiladores – pelo menos –  na área VIP e Camarotes.

Na área VIP, ficamos então sem ver o DJ, mas eu tinha grande expectativa na apresentação. “As músicas vão ser boas pelo menos“, eu pensava. Passaram-se então meia hora, uma hora, uma hora e meia… e eu tinha ouvido apenas duas músicas das inúmeras que eu esperava ouvir. E foi aí que eu desanimei de verdade.

Armin priorizou músicas da produtora dele, a Armada Music, e desconsiderou completamente que estava tocando para um público que tinha a oportunidade de vê-lo e ouvi-lo uma vez ou outra só. Ele tocou como se estivesse tocando numa casa noturna européia, e ficamos sem ouvir qualquer um dos grandes sucessos que ele tem.

Mas, de qualquer forma, isso pouco importou para quem estava lá. Percebi que talvez um por cento do público conhecia alguma coisa dele, e os comentários posteriores ao show no Twitter, dizendo que a apresentação tinha sido “sensacional” e que “por isso ele era o melhor do mundo” só me fizeram concluir que quem estava lá não sabia muito bem o que estava ouvindo, mas só quem estava tocando.

O público, aliás, foi um caso à parte: foi uma coisa legal ver que tinha gente de tudo quanto é idade na casa. Vi homens e mulheres que aparentavam fácil estar beirando os 50 anos, e não necessariamente homossexuais, que costumam ser mais descolados pra essas coisas. Mas foi triste ver que cada vez mais gente se acaba com drogas e com excesso de álcool. Aliás, mais uma vez comprovei que nosso tão amado povo realmente é sem noção: homens sem camisa dançando em cima do sofá do Camarote e mulheres com vestidos que pareciam mais uma meia-calça grande são apenas duas das coisas bizarras que presenciamos.

Quando faltavam 10 minutos para as 5 da manhã, certo de que a apresentação estava pra terminar e morrendo de calor, resolvemos ir embora. Pelo menos nessa parte foi tudo tranquilo: pagamos, saímos e pegamos o carro em minutos.

Resumo da noite: foi muito menos do que eu esperava. Acho que pra conseguir assistir um show dele no nível que vejo nos DVDs, só indo pra Europa mesmo, o que me faz deixar este sonho no mesmo nível de expectativa em que deixo o de assistir a um show do Genesis.

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Atender bem pra quê?

Tenho ficado assustado com o atual nível de prestação de serviço que as maiores empresas de seus setores têm sujeitado seus consumidores ultimamente. Falta de cortesia, conhecimento das leis, atenção e até educação estão entre algumas das causas mais comuns. Mas a simples execução das atividades-base dessas companhias se torna um grande desafio.

Pra conseguir comprar um serviço, então, a coisa é pior ainda. A começar pelo atendimento. Encontrar um atendente de Telemarketing que consiga resolver problemas é como achar uma agulha num palheiro. Quando se acha, é preciso torcer para que este esteja de bom humor, que esteja disposto a resolver o problema e que, principalmente, a ligação não caia. Porque se cair, meu amigo, quando você ligar de novo vai pegar “aquele” atendente, e vai descobrir que tudo o que você falou para o anterior não foi registrado.

O que é pior é que quem gasta mais com isso, normalmente, não é o consumidor, mas a própria empresa. Ligações para 0800 (que custam muita grana), tarefas que têm de ser executadas duas, três vezes, custos com visitas aos consumidores (no caso das empresas de TV a cabo, por exemplo) e até mesmo com remessas, devoluções e novas remessas. Isso tudo é um custo que vai crescendo do lado da companhia. E no final, o custo acaba sendo embutido no preço do produto! Ou seja: você, caro consumidor, está pagando pela incompetência deles!

E o Ombudsman?! É um absurdo que empresas tenham que ter Ombudsman. Aliás, o Ombudsman deveria ser uma pessoa, responsável por defender os interesses dos consumidores no geral e recebendo reclamações esporádicas apenas nos casos mais extremos. Mas em dias como os atuais, quando as empresas não conseguem acertar uma dentro, algumas delas já têm verdadeiros departamentos cheios de pessoas desse tipo.

O que falta então, para que as empresas voltem a atender bem seus consumidores finais? Eu divido essas razões em três pontos principais.

A primeira razão, que é algo que sempre faltou e sempre faltará, tem a ver com a questão cultural. O brasileiro não tem, por questões culturais, o costume de brigar por aquilo que é correto. Normalmente aceita aquilo que é dito ou imposto desconhecendo ou não fazendo valer seus direitos como consumidor.

O segundo fator importante diz respeito à também cultural desobediência às leis e regras do nosso país. As empresas encontram brechas ou atuam ilegalmente de forma consciente, por puro desrespeito às leis. O problema é que como as pessoas da linha de frente, vulgo “atendentes”, não são ensinados do procedimento correto, agem ilegalmente de forma convincente, porque foram ensinadas de que aquela era a forma correta.

O terceiro e mais lógico fator tem a ver com o segundo, e diz respeito àqueles que deveriam fazer valer as leis: nossos políticos. Se houvesse real fiscalização e cerco fechado quanto a essas práticas, e fossem também punidas pelos casos de mau atendimento, incluindo produtos e serviços não entregues como manda a lei, as empresas seriam desencorajadas a agir de forma ilegal e, mesmo sem o conhecimento do consumidor, este receberia os produtos e serviços pelos quais pagou, da forma como tem que ser.

Quando isso vai mudar? Não tão cedo. Dos três pontos acima, o mais certo é que o que mude primeiro seja o consumidor tomar ciência de seus direitos e começar a exigir isso das empresas. Nossos políticos vão evidentemente ficar só olhando e, tardiamente, como já é de costume, informar que está monitorando aquilo que terá sido uma conquista – e com méritos – da população. Enquanto isso nós continuamos ligando para as centrais de atendimento em quantidade de vezes que normalmente atingem números de dois dígitos, apenas para assistir TV ou ter nossos celulares funcionando, serviços os quais pagamos muito caro, aliás.

Categorias:mimimi
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